Angelina Jolie e o câncer de ovário

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Há dois anos a atriz norte-americana Angelina Jolie anunciou ser portadora do gene BRCA1, que aumenta drasticamente o risco de desenvolver câncer de mama e de ovário. Por conta disto, decidiu retirar os dois seios. Na época, os médicos da atriz calcularam um risco de 87% para desenvolver câncer de mama e de 50% para desenvolver um tumor nos ovários, caso ela não fizesse a cirurgia.

Na época, o caso teve uma grande repercussão na imprensa, levando ao aumento da procura por testes genéticos para identificar mutações, assim como pela cirurgia de retirada das mamas, ficando conhecido como “Efeito Angelina”, tamanha foi a influência da atriz sob o assunto.

Agora, dois anos depois, Angelina anunciou que fez uma cirurgia para retirada dos ovários e das trompas de Falópio como forma de prevenir o desenvolvimento do câncer de ovário. Entretanto, é bom ressaltar que como não é possível remover todo o tecido, a cirurgia não garante 100% a chance de não desenvolver câncer, embora a reduza consideravelmente. Além disso, induz a menopausa precoce, provocando uma série de desconfortos.

É provável que a partir de agora muitas mulheres comecem a procurar seus médicos para realizar o teste genético e retirar os ovários, assim como aconteceu em 2013 com as mamas. Entretanto, é preciso cautela no que diz respeito as duas cirurgias.

Vamos relembrar, como já citei em vários artigos aqui no blog, que o câncer hereditário é responsável por cerca de 5 a 10% dos casos, o que representa uma pequena parte das mulheres acometidas pelo câncer de mama. Soma-se a isso o fato que dentre os tumores hereditários, cerca de 25 a 40% dos casos envolvem a herança genética dos genes BRCA1 ou BRCA2. Sendo assim, não há motivos para tomar atitudes precipitadas.

Vamos relembrar quando é indicado fazer o teste genético para os genes BRCA1/BRCA2?

O teste genético é direcionado apenas para a população considerada de alto risco, levando-se em consideração alguns critérios como:

– Mais de dois ou três familiares com histórico da doença

-Irmã ou mãe que tiveram câncer de mama/ovário antes dos 45 anos

– Histórico de lesões malignas prévias

O exame que detecta a mutação nos genes BRCA1 e BRCA2 é de alto custo e não está acessível para todas as pessoas no Brasil. O ideal é que toda mulher frequente seu médico periodicamente. Mulheres com histórico familiar da doença devem começar o acompanhamento mais cedo, em torno dos 25 a 30 anos. Para as demais, a mamografia a partir dos 40 é fundamental e deve ser realizada anualmente.

 Lembre-se: o mastologista é o médico especialista na saúde das mamas e o profissional mais qualificado no assunto. Procure seu mastologista hoje mesmo!