Câncer de mama é mais agressivo em mulheres obesas

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Embora a ligação entre obesidade, estrogênio e câncer de mama seja bem conhecida, ainda não se sabe por que os tumores agressivos continuam a crescer em mulheres obesas mesmo após a terapia antiestrogênico. Segundo um novo estudo publicado na revista científica Hormones & Cancer envolvendo ratos de laboratório, após a menopausa o tecido adiposo continua produzindo estrogênio, um hormônio que pode promover o crescimento tumoral. Isso ajuda a explicar por que tantas mulheres obesas na pós-menopausa têm risco aumentado da doença.

Cerca de 40% das mulheres americanas são obesas, e aproximadamente 75% de todos os cânceres de mama são positivos para receptores de estrogênio. Nesses casos, as terapias indicadas são aquelas que agem inibindo esse hormônio, mas algumas vezes, mesmo após o tratamento, os tumores continuam crescendo graças à obesidade.

Durante o estudo, os pesquisadores descobriram que os ratos não produzem estrogênio quando estão obesos, o que não ocorre com as mulheres que estão acima do peso. Mas eles tinham receptores de androgênios sensíveis – esse hormônio está presente tanto em homens quanto em mulheres.

A partir daí, eles suspeitaram que após a remoção de estrogênio, os tumores que continuaram a crescer tornaram-se dependentes do androgênio. Mas quando eles foram tratados com terapias antiandrogênios, regrediram e não surgiram tumores novos, o que significa que os receptores de androgênios podem ter relação com o crescimento agressivo do câncer em mulheres na pós-menopausa.
Para descobrir por que esses receptores se tornam hiperativos na forma mais agressiva de câncer de mama, os pesquisadores examinaram vários fatores que são diferentes entre pessoas magras e obesas, como a resistência à insulina e a inflamação crônica, que é maior nas pessoas que estão acima do peso.

Eles acreditam que no futuro o Índice de Massa Corporal (IMC) ou o estado metabólico das pacientes com câncer de mama pode vir a ser considerado na hora de escolher o tratamento. Assim, as mulheres podem se beneficiar de uma terapia mais personalizada, com base no papel que a obesidade tem no desenvolvimento da doença.

A ciência já estabeleceu que a obesidade é a segunda maior causa de câncer considerada prevenível. Ela está associada a 13 tipos diferentes da doença, entre eles, o de mama e o de pâncreas, segundo a Organização Mundial da Saúde.