Gravidez após câncer de mama não aumenta risco de recidiva da doença

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Você já deve ter ouvido falar que mulheres que tiveram câncer de mama não devem engravidar. O motivo estaria na mudança hormonal que acontece durante a gestação, que poderia tornar o câncer reincidente e mais agressivo. Porém, estimativas apontam que cerca de 50% das mulheres com câncer de mama têm o desejo de se tornarem mães, só que menos de 10% engravidam depois que o tratamento termina.

Um estudo realizado por pesquisadores do Institut Jules Bordet, em Bruxelas, na Bélgica, traz uma boa notícia a essas mulheres: a gravidez não aumenta o risco de recorrência do câncer de mama. O estudo foi apresentado no início deste mês no congresso anual realizado pela Sociedade Americana de Oncologia Clínica, nos Estados Unidos.

A pesquisa analisou mais de 1.200 mulheres com câncer de mama, das quais cerca 1/3 engravidou, em média, dois anos após terem sido diagnosticadas e tratadas. A conclusão, depois de 12 anos de acompanhamento dessas pacientes, foi de que as que engravidaram não apresentaram um risco maior de o câncer voltar do que aquelas que não engravidaram. E a boa notícia não acaba aí. A pesquisa também mostrou que a gravidez seguida de amamentação pode ter um efeito protetor, diminuindo as chances de o tumor voltar.

A maioria das mulheres no estudo (57%) tinha câncer de mama com receptores de estrogênio, um tipo de câncer conhecido como RE-positivo, no qual os tumores são alimentados por este hormônio. Alguns médicos acreditavam que essas mulheres podiam enfrentar um maior risco de recidiva do câncer se ficassem grávidas, o que não ocorreu.

A gravidez também mostrou benefícios para as mulheres que tinham sobrevivido a um câncer de mama sem receptores hormonais. Elas tinham uma chance 42% menor de morte do que aquelas que não tinham engravidado.

Segundo os pesquisadores, a ciência ainda não entende bem por que isso acontece. Pode ser a própria explosão hormonal, que teria o efeito inverso do que se pensava. Ou talvez os anticorpos produzidos pela mulher contra células estranhas do feto, que matariam também as células do câncer.

Vale lembrar que o estudo avaliou apenas a relação entre recidiva do câncer e gravidez. Não foram avaliados dados que digam qual o momento ideal para essas mulheres engravidarem após o tratamento nem possíveis complicações relacionadas à gravidez, como malformações do feto.

Agora, outras pesquisas estão sendo realizadas para avaliar se as mulheres precisam adiar a gestação durante o tratamento, pois a terapia adjuvante para evitar a reincidência da doença deve ser realizada por um período de cinco a dez anos e não pode ser feita durante a gestação.