Linfonodos e câncer de mama eventualmente têm uma conexão direta como consequência da evolução do quadro oncológico. Isso se dá pelo fato de que, à medida que a doença avança, ela é capaz de atingir essas estruturas do organismo.
Não por menos, é normal que esse assunto suscite uma série de dúvidas entre as pacientes. Algumas das principais questões são aquelas que tratam sobre a necessidade de remoção dos linfonodos e o que isso significa para o prognóstico da doença.
Logo, é essencial ter um panorama sobre o tema e quais as implicações de tudo isso para o acompanhamento dos tumores mamários.
Quais as funções dos linfonodos dentro do organismo humano?
Os linfonodos, também conhecidos como gânglios linfáticos ou mesmo ínguas (quando inchados), são pequenos órgãos compostos por tecidos linfóides presentes em diversos lugares no corpo humano, seja em homens ou mulheres. Entre as regiões em que eles estão mais presentes estão as axilas e as virilhas.
Os linfonodos atuam principalmente na defesa do organismo e produzem anticorpos. Eles também são responsáveis por filtrar a linfa, líquido transparente que circula pelo sistema linfático.
A linfa é mais abundante que o sangue e é responsável por eliminar impurezas que as células produzem. Cada grupo de linfonodos é responsável por drenar uma parte específica do corpo. Por consequência, aqueles localizados nas axilas, por exemplo, drenam as mamas e os braços. Essa área conta com, em média, de 20 a 40 linfonodos.
Quando um vírus ou uma bactéria invade o organismo, ele é barrado ao passar por um linfonodo. Com isso, as células de defesa do organismo, os linfócitos, começam a se multiplicar, levando ao aumento dos linfonodos, condição popularmente conhecida como íngua.
Portanto, é comum que uma série de quadros infecciosos tenham como sintoma esse tipo de manifestação, uma vez que ela é resultado da ação dos mecanismos de defesa do organismo.
O que a relação entre linfonodos e câncer de mama significa na prática?
A partir do momento que um tumor na mama se dissemina pelos canais do sistema linfático, é possível que as células cancerígenas atinjam os linfonodos axilares. Esse processo geralmente começa pelos chamados linfonodos sentinelas, que são os primeiros a receberem a drenagem linfática da mama.
A presença de células cancerígenas nos linfonodos pode predispor a paciente a uma chance maior de que o câncer atinja um estágio metastático. É por isso que os médicos estão sempre atentos a esse ponto durante o tratamento de um tumor na mama.
Vale ressaltar que a presença de câncer nos linfonodos não significa necessariamente que a doença seja metastática. Na prática, esse termo é reservado para quando o câncer se espalha para órgãos distantes daquele em que ele foi inicialmente diagnosticado.
Como o comprometimento dos linfonodos é identificado?
Em geral, em um primeiro momento, é possível avaliar o grau de comprometimento dos linfonodos por meio de biópsias com agulha fina (chamadas de PAAF) ou de core biópsias, associadas ou não a ultrassonografias.
Durante o exame clínico, o médico também pode apalpar a região axilar em busca de linfonodos aumentados ou endurecidos.
Exames de imagem como ultrassons, tomografias computadorizadas ou ressonâncias magnéticas podem ajudar a identificar linfonodos com características suspeitas, como aumento de tamanho ou formato irregular.
Em outros casos, a biópsia dos chamados linfonodos sentinelas é um recurso valioso. Nesse procedimento, o cirurgião remove o linfonodo mais próximo ao tumor, identificando-o por meio da aplicação de tipo de “marcador” (geralmente contraste radioativo) injetado previamente no organismo. Posteriormente, o material coletado é enviado para análise capaz de identificar a presença de células cancerígenas.
Na maior parte dos casos, esse procedimento é feito em conjunto com a cirurgia de remoção do tumor. Logo, é comum que ele seja indicado para pacientes com tumores localizados em estágios iniciais e que eventualmente já tenham recebido outra terapia neoadjuvante (como a quimioterapia, por exemplo).
Como o comprometimento dos linfonodos influencia no estadiamento do tumor?
O estadiamento do tumor é um processo conduzido pelo médico com o objetivo de coletar informações essenciais sobre a lesão cancerígena conforme regras e critérios estabelecidos internacionalmente.
Nesse sentido, são levados em conta fatores como tamanho, localização e extensão da neoplasia. Isso permite que se dimensione com mais precisão a disseminação da doença, como destaca o Instituto Nacional do Câncer.
Além das características do tumor em si, no câncer de mama também é levado em conta se há linfonodos atingidos. Assim, é possível categorizar a doença em uma escala que vai de 0 a IV.
Em tese, quanto maior o número de linfonodos afetados, pior tende a ser o quadro. Do mesmo modo, quanto maior o tumor, maiores as chances de ele já ter progredido a ponto de comprometer um ou mais linfonodos. Em conjunto com outras informações, esse panorama contribui para que o médico determine qual a melhor opção de tratamento.
Como funcionam as cirurgias de remoção de linfonodos axilares?
Com o resultado da biópsia do linfonodo sentinela em mãos, o médico pode indicar a remoção ou não de outros linfonodos. Esse procedimento é conhecido como linfadenectomia axilar ou esvaziamento axilar. A decisão de realizar ou não um esvaziamento axilar depende de vários fatores, incluindo o número de linfonodos comprometidos e as características da doença.
Por muito tempo, acreditou-se que quanto maior o número de linfonodos removidos, menor seria o risco de que a doença se espalhasse.
Contudo, com o tempo percebeu-se que esse raciocínio não fazia muito sentido, uma vez que o tumor já poderia ter se espalhado sem necessariamente ter afetado todos os linfonodos. Hoje essa opção é feita sempre ponderando uma série de fatores individuais de cada paciente.
Se a decisão pelo esvaziamento axilar for tomada, a cirurgia tende a remover entre 10 e 40 linfonodos (embora a média seja de 20). O conteúdo retirado é analisado pelo médico patologista para saber se eles já haviam sido atingidos pelo tumor.
Seja como for, a remoção dos linfonodos pode ser feita em paralelo com a mastectomia ou a cirurgia conservadora para remoção do tumor.
Leia também: A forma como diferentes tipos de cirurgia para câncer de mama influenciam na qualidade de vida da paciente
Quais os cuidados necessários no período de recuperação após a cirurgia?
No período pós-cirurgia de esvaziamento axilar, a paciente é orientada a seguir algumas recomendações para acelerar a recuperação e evitar complicações. Entre elas estão o cuidado com o dreno (quando presente) e a movimentação adequada do braço do lado operado.
Como destaca a Sociedade Norte-Americana do Câncer, o surgimento de linfedemas é um problema comum em mulheres submetidas a tal procedimento, ainda que eles possam ser manejados com as medidas apropriadas.
Esse é o nome dado a um inchaço que ocorre quando o líquido linfático não consegue ser drenado adequadamente devido à remoção ou dano aos linfonodos.
Estratégias preventivas para reduzir o risco de tal queixa incluem exercícios específicos, uso de roupas de compressão quando necessário e cuidados com a pele para evitar infecções. Caso o linfedema se desenvolva, fisioterapeutas especializados podem orientar técnicas de drenagem linfática manual.
Saiba mais: Posso me exercitar após cirurgia de remoção do câncer de mama?
Quais os tratamentos adicionais pertinentes nesses quadros?
De maneira complementar, o médico pode prescrever tratamentos adicionais para conter a progressão do tumor e reduzir a chance de recidivas. Entre os mais utilizados estão:
- A quimioterapia: envolve o uso de medicamentos capazes de circular por todo o corpo através da corrente sanguínea, com o objetivo de eliminar células cancerígenas que possam ter se espalhado, inclusive, além da mama e dos linfonodos, mesmo depois que o foco da doença é eliminado.
- A radioterapia: aplica radiação diretamente na região da mama e/ou axilas para destruir possíveis células tumorais remanescentes, diminuindo as chances de retorno do tumor (ainda que publicações científicas recentes apontem que é possível pular essa etapa com segurança em certos casos).
- A hormonioterapia, tipo de intervenção que bloqueia a ação dos hormônios que estimulam o crescimento das células cancerígenas, sendo assim indicada para tumores sensíveis à ação hormonal (ou seja, que possuem grandes quantidades de receptores para estrogênio e/ou progesterona).
Todos esses cenários ilustram mais uma vez como compreender a relação entre linfonodos e câncer de mama é fundamental para acompanhar a evolução da doença e determinar as melhores intervenções para que ela seja controlada de modo eficaz e o menos invasivo possível.
Entenda, neste outro texto que já foi destaque aqui no blog, como acontece a progressão de um câncer metastático e quais as abordagens mais utilizadas nessas circunstâncias.






18 Comments
Fiz a mamografia e acusou linfonodos das axilas, é caso de cirurgia?
Olá, Sueli, tudo bem? Cada caso precisa ser analisado individualmente de forma personalizada em consulta. Precisaria ver exames, saber histórico de saúde e outros fatores para indicar o tratamento adequado. Abraço
Olá doutor, mesmo que o câncer de mama atinja os linfonodos, ainda tem cura?
Olá, Bryan. Mesmo quando o câncer de mama atinge os linfonodos, ainda existe possibilidade de cura, especialmente se o tratamento for iniciado precocemente e seguido de forma adequada. O mais importante é ter um diagnóstico preciso e seguir as orientações da equipe médica.
Fiz mastectomia e esvaziamento axilar tem 60 dias e apareceu um Cardoso meu pescoço próximo da craficula
Olá, Josy, entendo sua preocupação! O ideal é que você procure seu médico quanto antes para uma avaliação detalhada. Pode ser algo simples, mas só um exame clínico pode esclarecer com segurança.
minha axila esquerda esta um pouco aumentada
o que pode ser?
Olá, Larissa, tudo bem? Para saber o que está causando o aumento da axila, precisaria analisar a paciente, ver exames, entre outros fatores que precisaria avaliar. Apenas assim conseguiria realizar um diagnóstico adequado.
Fiz uma ultrassonografia acusou linfonodos na axila depois fiz uma mamografia e não acusou nada não entendi
Olá, Celia, ressaltamos que cada caso deve ser avaliado individualmente. Por isso, o mais indicado é sempre passar em consulta com um especialista.
Boa noite, fiz mastectomia simples com BLS dia 26/02/2025 resultado linfonodos livre de neoplasia, tratamento só tamoxifeno, tá certo isso?
Olá, Ana, tudo bem? O ideal é tirar a dúvida com o médico que te acompanha, ele será a melhor pessoa para orientar de forma detalhada.
Eu tenho linfonodos na axila esquerda a 1 ano… Minha médica indicou uma biópsia só que não foi feita por causa do br1
Estou com linfonodos e está doendo muito o que devo fazer?
Olá, Hercilia, ressaltamos que cada caso deve ser avaliado individualmente. Por isso, o mais indicado é sempre passar em consulta com um especialista.
Fiz mastectomia e esvaziamento axilar tem 60 dias e apareceu um Cardoso meu pescoço próximo da craficula
Olá sou Jackeline a um ano acompanho um nódulo na mama direita BRDS-3 e 7 meses depois apareceu outro na mesma mama. E também um linfonodos na esquerda.
Eu sinceramente não sei o que pensar fico vendo vários postes.
Já fui para mastologista ela não me explica as coisas direito.
Passou para eu fazer punção e biópsia.
Minha cabeça está a mil.
Minha família tem caso de câncer.
Olá, Jackeline, cada caso deve ser avaliado individualmente. Por isso, o mais indicado é sempre passar em consulta com um especialista para avaliação. Caso queira agendar uma consulta com o Dr. Silvio, você pode ligar no (11) 2151-5122 ou mandar mensagem por WhatsApp para (11) 99655-4717.