Receber o diagnóstico de um tumor pode levantar diversas questões durante a jornada de cuidados. Uma das dúvidas mais comuns no início do tratamento é como os medicamentos necessários serão aplicados.
Atualmente, existem várias vias de administração no câncer de mama, mas a escolha não segue uma regra única sobre quando cada uma será aplicada. Nessas circunstâncias, vale a pena entender quais são as principais possibilidades e o que esperar de cada uma, dando mais segurança a cada momento do tratamento.
Por que existem diferentes vias de administração no tratamento do câncer de mama?
Quando se fala em “via de administração”, estamos falando do caminho que o medicamento faz para entrar no corpo. Esse percurso muda a velocidade de ação, a praticidade e até o tipo de cuidado necessário durante a aplicação.
Alguns remédios precisam entrar diretamente na veia para funcionar bem. Outros podem ser tomados por via oral com segurança. Em alguns casos, o objetivo é tratar o corpo todo. Em outros, é reduzir efeitos colaterais e facilitar a vida da paciente.
Também é importante lembrar que o tratamento do câncer de mama costuma ser combinado. É provável que sejam utilizadas mais de uma substância e mais de uma via ao longo das diferentes fases do processo, como antes da cirurgia, depois da cirurgia ou em situação de doença mais avançada.
Quais as principais vias de administração de medicamentos no câncer de mama?
É possível agrupar as alternativas para implementar um tratamento oncológico nos seguintes grupos:
- oral;
- intravenosa;
- subcutânea;
- intramuscular;
- tópica.
Cada alternativa conta com finalidades diferentes, além de oferecer vantagens e riscos específicos, como destacado nos tópicos abaixo.
Via oral
Quando o remédio é tomado pela boca, na forma de comprimidos ou cápsulas. Muitas pacientes gostam dessa opção pela praticidade, mas é essencial entender que “ser por boca” não significa “ser leve” ou que possa ser feito sem o devido acompanhamento.
Exemplos de tratamentos para câncer de mama via oral são as hormonioterapias, sejam elas neoadjuvantes ou adjuvantes (antes ou depois da cirurgia). Em resumo, o objetivo desses fármacos é reduzir a produção ou impedir que as células cancerígenas usem determinados hormônios para crescer e se proliferar, como destaca a American Cancer Society.
Ademais, a via oral se aplica, em alguns casos, para o uso de terapias-alvo e outras medicações usadas em situações específicas.
Mesmo em casa, o tratamento precisa de rotina e disciplina, ainda que ofereça mais autonomia. Horário, jejum ou alimentação, interação com outros remédios, vitaminas e até chás podem interferir. Por isso, antes de começar, vale alinhar exatamente como tomar e o que evitar, além de discutir potenciais efeitos colaterais.
Quem esquece doses com frequência, sente náuseas, tem refluxo ou dificuldade para engolir, precisa comunicar ao médico. Ajustes são possíveis e fazem diferença no conforto obtido.
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Via intravenosa
A via intravenosa, ou IV, é quando o medicamento entra diretamente na corrente sanguínea por um acesso na veia. Essa é uma via muito usada em quimioterapia e em alguns medicamentos mais modernos, como certos tratamentos imunoterápicos.
Geralmente, todo o processo acontece em ambiente controlado, como um hospital ou um centro de infusão. Isso permite monitorar reações durante a aplicação e ajustar a velocidade do soro quando necessário.
Algumas medicações podem ser aplicadas por uma veia do braço, com uma punção comum. Outras, especialmente quando o tratamento é mais prolongado, podem exigir um cateter para reduzir o sofrimento e preservar as veias.
Como é natural, alguns medicamentos podem causar reações durante a aplicação. Quando isso acontece, a equipe pode pausar a administração e retomar posteriormente, ajustando doses e buscando sempre o menor tempo de interrupção.
Por isso, durante a infusão, é essencial avisar sobre qualquer incômodo, como sentir falta de ar, coceira, calor, aperto no peito ou tontura, entre outros.
Via subcutânea
A via subcutânea é aquela em que o medicamento é aplicado logo abaixo da pele, de forma semelhante a uma injeção. Ela vem ganhando espaço em alguns tratamentos porque pode ser mais rápida do que a infusão na veia.
Nem todo remédio pode ser administrado assim, mas quando existe essa opção, muitas pacientes percebem como uma via mais simples, com menos tempo de permanência no hospital.
Algumas aplicações podem causar ardor, dor local ou vermelhidão por um período curto. Quem tem histórico de reações na pele ou usa anticoagulantes deve avisar antes.
Via intramuscular
Essa é a injeção aplicada no músculo, como glúteo ou braço. No câncer de mama, ela aparece mais em situações específicas, principalmente com algumas medicações hormonais.
Ela pode causar desconforto local por um ou dois dias e algumas pacientes descrevem uma sensação de “músculo dolorido”. Alternar o lado e usar técnicas corretas de aplicação ajuda bastante.
Via tópica
Cremes e pomadas não costumam ser o tratamento principal do câncer de mama, mas são muito úteis para cuidar de efeitos na pele, principalmente durante as sessões de radioterapia ou perante reações de alguns medicamentos.
Aqui, o cuidado é entender o que pode e o que não pode ser usado, porque algumas substâncias irritam a pele ou interferem na área tratada.
Logo, antes de passar qualquer creme por conta própria, especialmente em pele sensível, ferida ou irradiada, é necessário pedir orientação.
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Como se preparar para reduzir desconfortos e ter mais tranquilidade
Vale sempre ressaltar que a via de administração no câncer de mama não é escolhida por gosto do médico ou por “moda”. Ela é definida por eficácia, segurança, disponibilidade e perfil do tumor.
O mais importante é entender o objetivo daquele remédio. Algumas perguntas que ajudam nesse objetivo e que devem ser levadas ao consultório incluem:
- Qual é o objetivo desse medicamento no meu tratamento?
- Por quanto tempo vou usar e com que frequência?
- Quais efeitos colaterais são esperados e quais não são normais?
- O que eu faço se esquecer uma dose, no caso da via oral?
- Existe alternativa de via para o meu caso ou essa é a mais indicada?
Ademais, alguns cuidados simples ajudam a garantir um bom patamar de qualidade de vida durante o tratamento, independentemente da via. Eles envolvem medidas como:
- ter em mãos uma lista atualizada de todos os medicamentos e suplementos utilizados normalmente;
- avisar o médico sobre alergias, reações anteriores ou até mesmo medo de agulha e similares;
- combinar com a equipe o que fazer diante de qualquer efeito colateral, tendo sempre a ciência de que eles podem variar bastante de pessoa para pessoa, como destacam as orientações do National Cancer Institute;
- perguntar quais sinais de alerta diante de uma reação adversa do medicamento exigem contato imediato.
Em resumo, apesar das variáveis em cada via de administração no câncer de mama, nenhuma mulher em tratamento precisa decorar nomes difíceis ou saber tudo sobre o tema. Mas quem entende minimamente o plano terapêutico tem mais chances de se engajar com ele, independentemente do que está sendo feito para combater a doença.
Se quiser, traga suas dúvidas para uma consulta ou leia aqui no blog mais conteúdos sobre esse e outros





