Nem todo câncer de mama é igual. Mais do que o tamanho do tumor ou o estágio em que ele é descoberto, as características moleculares da lesão têm papel decisivo na forma como ele se comporta e responde ao tratamento. É nesse contexto que surge o conceito de câncer de mama luminal.
Em resumo, esse é um subtipo definido pela biologia das células tumorais, considerando, sobretudo, o modo como elas se multiplicam. A seguir, você entende melhor o que define esse subtipo, quais são suas variações e de que forma ele é abordado do ponto de vista terapêutico.
Por que é importante identificar as características moleculares de um câncer de mama?
Por muito tempo, os especialistas classificaram os tumores mamários principalmente com base em critérios como tamanho, localização e características gerais das células.
Todavia, com o avanço das pesquisas, ficou evidente que dois tumores aparentemente semelhantes podem se comportar de maneiras completamente distintas. E não é só isso: eles podem responder de formas diferentes aos mesmos tratamentos.
Isso acontece porque cada tumor carrega uma identidade molecular própria, determinada pela presença ou ausência de determinadas proteínas e receptores em suas células.
Devido a restrições nas técnicas disponíveis e ao conhecimento limitado sobre o tema, ignorava-se a relevância de tais fatores. Hoje se sabe que conhecer essas características permite ao oncologista e ao mastologista:
- prever com mais precisão como o tumor tende a se comportar ao longo do tempo;
- selecionar os tratamentos com maior probabilidade de eficácia para cada perfil específico;
- evitar intervenções desnecessárias, poupando a paciente de efeitos colaterais sem benefício real.
Em outras palavras, identificar o subtipo molecular de um câncer de mama é um passo fundamental para que o tratamento seja, ao mesmo tempo, eficaz e individualizado.
O que define se um câncer de mama é luminal?
O termo “luminal” faz referência ao tipo de célula que origina o tumor. Nesses casos, as células cancerígenas se assemelham às que revestem internamente os ductos mamários, chamadas de camada luminal ou lúmen mamário.
Sendo assim, o principal marcador que define um câncer de mama luminal é a presença de receptores hormonais positivos. Isso significa que as células tumorais utilizam estrogênio, progesterona ou ambos como “combustível” para crescer.
É exatamente essa dependência dos hormônios que se transforma em alvo do tratamento. Ao interromper ou bloquear o fornecimento desses hormônios, é possível frear o crescimento do tumor.
Essa característica é identificada por meio de exames de imuno-histoquímica realizados a partir da biópsia do tumor. Ou seja, um fragmento da lesão é removido (geralmente com o auxílio de uma agulha) e depois enviado para análise do patologista.
Posteriormente, os resultados são apresentados em um laudo, que é avaliado pelo oncologista e pelo mastologista. Adicionalmente, podem ser solicitados testes genômicos, como o Oncotype DX e o MammaPrint, que permitem estimar com ainda mais precisão o benefício da quimioterapia e o risco futuro de recorrência da doença.
Entretanto, há diferenças mesmo entre os tumores luminais. Por isso, os especialistas separam o grupo em dois subtipos: A e B.
Luminal A
De acordo com dados do Breast Cancer Research Foundation, o luminal A é o subtipo mais comum entre todos os cânceres de mama, respondendo por cerca de 50% a 60% dos casos diagnosticados. Suas principais características moleculares são:
- receptores de estrogênio e progesterona positivos;
- ausência da proteína HER2;
- índice Ki-67 reduzido (normalmente inferior a 20%), indicando baixa taxa de proliferação celular.
Esse conjunto de características resulta em um tumor de crescimento lento, menor grau de agressividade e menor probabilidade de recidiva.
Luminal B
Esse subtipo compartilha a presença de receptores hormonais com o subtipo A, mas apresenta um perfil consideravelmente diferente em termos de comportamento.
Também segundo o Breast Cancer Research Foundation, representa cerca de 15% a 20% dos diagnósticos de câncer de mama e tende a ser mais agressivo. Do ponto de vista molecular, o luminal B se caracteriza por:
- receptor de estrogênio positivo;
- receptor de progesterona ausente ou com expressão fraca;
- HER2 positivo ou negativo (o que divide o tumor em outros dois subgrupos);
- índice Ki-67 elevado (normalmente superior a 20%), refletindo uma maior velocidade de proliferação celular.
Por crescer mais rapidamente e ter maior potencial de recorrência, o luminal B costuma exigir uma abordagem terapêutica mais abrangente em comparação ao luminal A.
Quais são as abordagens de tratamento mais utilizadas no câncer de mama luminal?
O plano terapêutico para o câncer de mama luminal é definido caso a caso, levando em conta o subtipo (A ou B), o estadiamento, a presença ou não da proteína HER2 e as características individuais da paciente. De maneira geral, as abordagens mais utilizadas incluem:
- hormonioterapia, que atua para bloquear ou reduzir a ação dos hormônios que alimentam o tumor e frear o crescimento das células cancerígenas. Os medicamentos mais utilizados incluem os moduladores seletivos de receptores de estrogênio e os inibidores de aromatase;
- cirurgia, realizada em boa parte dos casos, podendo ser conservadora ou envolver a retirada total da mama, dependendo do tamanho e da localização do tumor;
- radioterapia, em que a aplicação de radiação visa eliminar células residuais e reduzir o risco de recidiva local, sobretudo após as cirurgias;
- quimioterapia, frequentemente omitida nos casos de tumores luminais A, conforme publicado no periódico $2$2[a]$2, e utilizada com mais frequência nos casos de tumor luminal B;
- terapias-alvo, como aquelas utilizando inibidores de ciclinas, que nos últimos anos ganharam espaço como opções terapêuticas para cânceres de mama avançados ou metastáticos. Esses medicamentos atuam bloqueando proteínas que regulam o ciclo de divisão celular, reduzindo a velocidade de crescimento do tumor.
Em síntese, identificar um câncer de mama luminal não é apenas um detalhe técnico, mas um passo decisivo para que o tratamento seja efetivo. Na prática, isso abre caminho para abordagens mais precisas, tratamentos menos agressivos e maior chance de recuperação, sempre conforme a avaliação do profissional responsável pelo acompanhamento.
Saiba agora o que são os cuidados paliativos e qual o papel deles no acompanhamento de um câncer de mama.





