Embora o número de diagnósticos da doença nas faixas etárias antes dos 50 anos esteja crescendo, dados indicam que a mortalidade por câncer de mama em mulheres jovens vem diminuindo. Essa é a constatação possível, pelo menos, em determinados contextos e localidades.
Exemplo disso são os resultados de um estudo apresentado na edição de 2025 da Associação Norte-Americana para a Pesquisa do Câncer (AACR, sigla em inglês). Todavia, não é possível apontar que tais avanços se estendem para outras regiões, inclusive o Brasil. Ao longo do texto, você entende melhor as razões para isso.
O que mostram os dados norte-americanos sobre a mortalidade por câncer de mama em mulheres jovens
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores que assinam o artigo analisaram mais de 111 mil casos da doença e 11.661 óbitos por câncer de mama em mulheres dos Estados Unidos entre 20 e 49 anos, durante a década de 2010 a 2020.
A partir disso, foram avaliados os status moleculares de cada diagnóstico (luminal A ou B,HER2 positivo ou negativo, tumores triplo-negativos etc.), considerando ainda recortes de grupos raciais e étnicos.
No fim, os resultados mostram que essa queda na mortalidade ocorreu em todos os subtipos e grupos analisados. Em alguns parâmetros, a queda foi de quase 30% (o caso dos tumores luminais A e triplo-negativos).
Notavelmente, foi observada uma redução mais acentuada a partir de 2016, sugerindo que os avanços terapêuticos recentes estão efetivamente salvando vidas, especialmente entre pacientes mais jovens.
A adoção mais ampla de inibidores de ciclinas e a otimização da terapia endócrina são alguns exemplos, já que, segundo os autores, receberam aprovação para o uso clínico nessa época.
Mas, embora a mortalidade tenha caído em todos os grupos raciais e étnicos, mulheres negras continuaram a apresentar a maior mortalidade. Tal cenário se repetiu tanto em 2010 quanto em 2020. Essas disparidades evidenciam que o progresso não tem beneficiado todas as populações de forma equitativa.
É importante destacar também que, entre mulheres de 20 a 39 anos com câncer luminal A, a sobrevida em 10 anos (portanto, no longo prazo) foi menor do que a observada em mulheres com luminal B. Esse desfecho não era esperado e sugere que o câncer de mama luminal A em mulheres muito jovens pode representar um subgrupo potencialmente mais agressivo com o passar dos anos.
Por que a incidência aumenta enquanto a mortalidade cai?
Um aspecto aparentemente contraditório merece destaque: enquanto a mortalidade diminui, a incidência de câncer de mama em mulheres jovens vem aumentando gradualmente. Em outras palavras, isso significa que mais pessoas têm câncer de mama, mas o número de óbitos continua a desacelerar.
Dados da American Cancer Society apontam que a incidência do câncer de mama em mulheres de todas as idades avança cerca de 1% ao ano. Enquanto isso, esse número entre pacientes antes dos 50 anos cresce 1,4% no mesmo período.
Não é possível explicar esse fenômeno a partir de uma única razão. Os pesquisadores atribuem parte desse aumento em virtude de elementos como:
- índices maiores de sedentarismo;
- consumo de álcool e tabagismo;
- mulheres tendo menos filhos ou com gestações mais tardias e que amamentam por menos tempo;
- alimentação desregrada, com aumento de ingestão de itens ultraprocessados.
Outro ponto importante nessa equação é o avanço do rastreamento para mulheres entre 40 e 49 anos. Ou seja, mais mulheres nessa faixa etária passaram a fazer a mamografia periódica. Como resultado, as chances de identificar a doença em estágio inicial e de recuperação aumentaram.
Leia também: Intervalo maior entre o diagnóstico e a cirurgia de câncer de mama afeta a sobrevida da paciente, indica estudo.
A realidade da mortalidade por câncer de mama em jovens no Brasil
Não é possível transpor os dados da realidade norte-americana para o Brasil, como podemos concluir a partir de dados do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. Eles apontam que uma em cada três mulheres diagnosticadas com câncer de mama no país tem menos de 50 anos.
Além disso, mais de 38.793 mulheres com menos de 50 anos morreram de câncer de mama entre 2014 e 2023, representando 22% do total de óbitos no período analisado.
Por consequência, tais estatísticas apontam que a mortalidade por câncer de mama no Brasil não está diminuindo na mesma velocidade observada em países desenvolvidos.
Reverter essa tendência inclui, além da adoção de terapias mais avançadas e personalizadas, expandir o acesso ao rastreamento. Por parte do Ministério da Saúde, isso foi feito ampliando a orientação da mamografia para pacientes de 40 a 49 anos, em linha com o que já preconizavam outras autoridades de saúde.
Do ponto de vista global, é necessário reforçar as estratégias de prevenção e compreender melhor, por meio de novos estudos, a biologia dos tumores nessas pacientes para implementar abordagens terapêuticas mais eficazes. Com a união de todos esses pontos, a melhoria da mortalidade por câncer de mama em mulheres jovens tende a ser percebida em outras realidades.
Aproveite e confira agora algumas recomendações valiosas que devem ser adotadas por quem recebe o diagnóstico de um câncer mamário.





