Mamas densas podem ser um dos principais fatores de risco para o câncer de mama

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Mamas densas podem ser um dos principais fatores de risco para o câncer de mama

Ter as mamas densas não é um sinal de câncer, mas elas podem ser consideradas um fator de risco para o desenvolvimento da doença. Esse risco está associado a uma maior predisposição genética e também à dificuldade de visualização do tumor durante o exame de mamografia. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco (EUA), e publicado na revista científica JAMA Oncology, mostrou que as mulheres cujos seios são compostos principalmente de tecido glandular denso ao invés de gordura podem ter maior probabilidade de desenvolver a doença.

O tecido glandular é o responsável pela produção do leite materno. Na mamografia, a gordura aparece escura, enquanto que o tecido aparece branco. Os tumores, quando existem, também aparecem brancos, o que pode fazer com que eles passem despercebidos pelo médico. Vários fatores podem afetar a densidade da mama, como a idade, a menopausa, o uso de medicamentos, a gravidez e a genética.

No estudo, foram observadas cerca de 200 mil mulheres. Elas tiveram as mamas classificadas em quatro categorias de densidade mamária: mamas formadas quase que inteiramente por gordura, ou seja, não densas; mamas com bastante gordura, mas um pouco densas; mamas moderadamente densas e mamas predominantemente densas.

Os pesquisadores descobriram que a densidade da mama parecia ser o maior indicador de risco de câncer, ainda mais do que outros fatores de risco comuns, como histórico familiar ou maternidade após os 30 anos. Segundo eles, as mulheres com mamas densas têm duas vezes mais chances de desenvolver a doença do que mulheres com mamas não densas.

Acredita-se que cerca de 39% dos casos de câncer de mama surgidos antes da menopausa e 26% dos casos que se desenvolveram após a menopausa poderiam ser evitados se as mulheres com mamas moderadas ou predominantemente densas pudessem ter um tecido mamário menos denso.

Mas como não há o que possa ser feito para reduzir a densidade das mamas, os pesquisadores acreditam que outros exames, além da mamografia, devem ser indicados para o rastreamento da doença nessas mulheres, como a ressonância magnética, a tomografia ou a tomossíntese, também conhecida como mamografia 3D.

Os resultados dessa pesquisa não significam que a densidade da mama seja o fator de risco mais significativo para cada mulher, mas explica muitos casos de câncer na população em geral, pois a estimativa é de que 60% das mulheres jovens têm mamas densas.

O tratamento com o tamoxifeno, um hormônio bloqueador de estrógeno, é o único medicamento que atua na redução da densidade mamária, mas como ele apresenta alguns efeitos colaterais, só é recomendado para mulheres com alto risco de desenvolver a doença.

Vale ressaltar que não é certo que uma mama menos densa possa reduzir o risco de câncer de mama, porque as razões que levam à doença ainda não são conhecidas. Além do quê, há outros fatores que contribuem para o aumento desse risco, como o sedentarismo, uso de álcool, terapia de reposição hormonal, entre outros.