Já é bastante consagrada na literatura científica a relação entre atividade física e câncer de mama, inclusive na prevenção. Portanto, movimentar o corpo deve fazer parte da rotina de quem quer que seja. Além de proteger contra essa e outras condições, o exercício regular promove, de forma ampla, uma melhor qualidade de vida.
Nesse contexto, um estudo publicado em 2025 no British Journal of Sports Medicine traz novos dados para reforçar essa relação e ainda mostrar que a atividade física também pode ser uma aliada importante depois do diagnóstico.
Atividade física e câncer de mama
O câncer de mama é atualmente a segunda neoplasia mais comum entre as mulheres brasileiras, atrás apenas dos tumores de pele não melanoma. No Brasil, são estimados mais de 73 mil novos casos por ano, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer, e quase 20 mil óbitos, tornando a doença a principal causa de morte por câncer entre mulheres no país.
Embora a doença tenha forte componente genético, acredita-se que até 25% dos casos de câncer de mama tenham relação com o sedentarismo. Ao mesmo tempo, a American Cancer Society (ACS) aponta que a manutenção de um nível regular de atividade física diminui entre 10% e 20% a chance de desenvolver um tumor na mama.
A explicação para os benefícios dos exercícios na prevenção do câncer passa por vários pontos. É possível que a atividade física regular reduza o acúmulo de gordura, contribuindo para manter os níveis de estrogênio mais estáveis no organismo.
Além disso, movimentar o corpo tende a modular respostas inflamatórias e reduzir o estresse oxidativo. Isso diminui danos ao material genético da célula e desacelera o processo que dá origem ao tumor.
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Os achados mais importantes do estudo sobre o tema
Em certa medida, a publicação do British Journal of Sports Medicine reforça que, quanto maior o nível de atividade física diária, menor será a chance de desenvolver diversos tipos de câncer, incluindo o de mama.
Para gerar as novas evidências, os pesquisadores acompanharam mais de 85 mil participantes que usaram acelerômetros de pulso por sete dias. O equipamento media com precisão o tempo gasto em comportamento sedentário, atividades leves, atividades moderadas a vigorosas e a quantidade de passos diários.
Ao longo de um acompanhamento médio de quase seis anos, 2.633 pessoas foram diagnosticadas com algum dos 13 tipos de câncer já associados ao sedentarismo. Entre eles estava o de mama, o mais frequente também entre as mulheres da amostra. Por fim, os resultados mostraram que:
- aqueles que tinham o maior nível de atividade física total apresentavam 26% menos risco de desenvolver um desses tumores, em comparação a quem tinha o menor nível;
- tanto as atividades leves quanto as moderadas a vigorosas mostraram benefícios, enquanto o tempo sedentário isoladamente não teve associação direta com o risco.
Ou seja, qualquer movimento ao longo do dia conta, não apenas o exercício estruturado como treinos de academia ou aulas correlacionadas.
A contagem de passos também se mostrou relevante. Comparando pessoas que caminhavam 5 mil passos por dia com aquelas que chegavam a 7 mil, o risco de câncer já era 11% menor. Em quem alcançava 9 mil passos diários, essa redução chegava a 16%, com os ganhos tendendo a se estabilizar a partir desse patamar.
Atividade física também pode ajudar no prognóstico do câncer de mama
Além de contribuir para a prevenção, a atividade física regular vem ganhando destaque como fator que pode influenciar positivamente o prognóstico de quem já recebeu o diagnóstico de câncer de mama.
Um estudo publicado em junho de 2024 no Journal of Clinical Oncologyacompanhou mais de 10 mil mulheres com câncer de mama em estágios I a III por cerca de seis anos. A pesquisa identificou que praticar entre 90 minutos e cerca de 5 horas semanais de atividade física moderada esteve associado a menor risco de recorrência da doença.
Em pacientes com câncer de mama triplo-negativo (subtipo, em teoria, mais agressivo), a sobrevida livre de recorrência a distância (o tempo que um novo tumor demora para aparecer em qualquer outra parte do corpo) foi de 86% entre as que se exercitavam menos de 90 minutos semanais, contra 91,6% entre as que atingiam esse patamar ou mais.
Entre pacientes HER2-positivas, a taxa passou de 90% (em menos de 90 minutos semanais de atividade física) para 96% (quando esse período era superior).
Esses achados reforçam, de fato, que a atividade física não deve ser vista apenas como estratégia preventiva. Ela é também parte do cuidado durante e depois do tratamento oncológico, sempre em conjunto com a orientação médica.
O que tudo isso representa na prática?
Os estudos recentes reforçam ainda mais a importância dos exercícios físicos, tanto para reduzir o risco de câncer de mama quanto para melhorar o prognóstico de quem já enfrenta a doença. Na prática, vale sempre a máxima de que qualquer exercício é melhor do que nenhum, e que mesmo atividades leves ao longo do dia, como caminhar mais, já trazem benefícios mensuráveis.
Ainda assim, as autoridades de saúde, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), recomendam, quando não houver contraindicação, um acúmulo semanal de pelo menos 150 a 300 minutos de movimentação moderada à vigorosa.
Em todo caso, situações específicas, sobretudo durante ou após o tratamento oncológico, devem receber orientação profissional individualizada, considerando o estado clínico e a tolerância de cada paciente. Vale reforçar ainda o cuidado necessário ao retomar atividade física após um longo período de sedentarismo, de forma segura e gradual.
Em resumo, as evidências reforçam cada vez mais o papel fundamental da atividade física na prevenção e no manejo do câncer de mama. Toda campanha de conscientização deve, portanto, pontuar os benefícios desse hábito em todas as etapas da jornada da paciente.
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