Para mulheres com alterações nos genes BRCA, a preocupação com a saúde das mamas acaba se tornando ainda maior. Felizmente, a medicina oferece alternativas cada vez mais seguras e eficazes para ajudar nesses cenários. Uma delas é a chamada mastectomia bilateral redutora de risco.
Tal conclusão foi reforçada por um estudo publicado em janeiro de 2026 na JAMA Surgery. É claro que a decisão pela cirurgia não é simples e envolve diversas etapas de reflexão individual e acompanhamento multidisciplinar. No entanto, informações desse tipo são importantes para orientar a discussão entre médicos e pacientes.
O que você precisa saber sobre as mutações nos genes BRCA
As alterações nos genes BRCA1 e BRCA2 são fatores de risco importantes para o câncer de mama ao longo da vida. Na prática, tais trechos do material genético são essenciais para reparar danos nas células, evitando que erros genéticos se acumulem e abram caminhos para tumores.
Ou seja, quando mutações herdadas (do pai, da mãe ou de ambos) comprometem esses genes, o freio de segurança falha e as células perdem a capacidade de se autocorrigir, elevando drasticamente o risco de câncer de mama em mulheres.
De acordo com dados do National Cancer Institute, mulheres com essas mutações têm mais de 60% de chance de desenvolver a doença ao longo da vida. Na população em geral, esse número gira em torno de 10%. Tumores nos ovários também podem ser mais comuns. Além disso, esses cânceres surgem mais cedo, muitas vezes antes dos 50 anos.
Mutações no BRCA são identificadas por meio de testes genéticos. O recurso é solicitado normalmente em pessoas com histórico familiar ou pessoal sugestivo de risco hereditário (como pessoas com câncer de mama antes dos 50 anos ou câncer de ovário, próstata metastático ou pancreático na família).
Também de acordo com o National Cancer Institute, na população em geral, a mutação está presente em menos de 0,3% das pessoas. O número sobe para 2% em grupos específicos, como os judeus asquenazes.
Entendendo a mastectomia bilateral e seu papel na prevenção
A mastectomia bilateral preventiva envolve a retirada cirúrgica do tecido mamário de ambas as mamas, mesmo sem indícios de câncer. É uma abordagem voltada para a prevenção em mulheres com variantes patogênicas do gene BRCA.
Nesse contexto, o estudo publicado no início de 2026 demonstrou que:
- mulheres com mutação BRCA conseguem reduzir o risco de desenvolver câncer de mama em até 90%;
- a mortalidade geral pode cair em cerca de 63%;
- a redução da mortalidade específica por câncer de mama é ainda mais expressiva, variando entre 81% e 86%.
Para chegar a esses dados, os autores da pesquisa reuniram informações de estudos anteriores. Ao todo, conseguiram acumular evidências de seis levantamentos, totalizando mais de seis mil pacientes com mutações nos genes BRCA.
A partir disso, eles usaram métodos estatísticos para juntar os resultados, ajustando por fatores como idade, e avaliaram vieses para garantir qualidade.
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Quem deve considerar a cirurgia redutora de risco?
Os dados apresentados certamente reforçam o papel dessa estratégia como aliada poderosa na luta para evitar um diagnóstico. No entanto, além dos números, há impactos emocionais e na qualidade de vida a considerar, sempre com acolhimento e cuidado individualizado.
Por isso, a indicação da mastectomia bilateral redutora de risco é bastante específica. O procedimento é geralmente recomendado para mulheres que:
- têm mutação comprovada nos genes BRCA1 ou BRCA2 por meio de teste genético;
- já passaram por aconselhamento genético e entendem as implicações da mutação;
- têm histórico familiar relevante de câncer de mama e/ou ovário;
- desejam reduzir ao máximo as chances de desenvolver a doença.
Seja como for, a decisão é sempre pessoal. Algumas preferem o monitoramento mais próximo com exames de imagem periódicos (como mamografias, ultrassons e ressonâncias), enquanto outras optam pela cirurgia para se sentirem mais seguras.
Fatores de risco que influenciam nessa escolha
Além do histórico genético, outros fatores são analisados, como: idade, desejo de manter as mamas, planos de ter filhos e presença de alterações suspeitas. O diálogo aberto e a clareza das informações ajudam cada paciente a tomar a decisão mais confortável para si.
É fundamental lembrar que os sintomas na mama não são obrigatórios para considerar a cirurgia preventiva. Na maioria das vezes, mulheres com mutação BRCA estão assintomáticas ou sequer desenvolveram a doença no momento em que avaliam a operação.
O que acontece após a mastectomia bilateral?
A recuperação após a cirurgia costuma ser bem tolerada e, graças a técnicas modernas, as cicatrizes são cada vez mais discretas. Sempre que possível, a reconstrução mamária imediata é planejada, garantindo autoestima e bem-estar. Isso pode ser feito utilizando próteses, expansores ou enxertos, conforme disponibilidade, critério do cirurgião e preferência da paciente.
Por fim, o acompanhamento pós-operatório da mastectomia bilateral preventiva é essencial para ajustar os cuidados de saúde e oferecer suporte psicológico. A sensação de alívio pela redução do risco muitas vezes convive com desafios emocionais relacionados à aparência corporal, autoestima e sexualidade.
Aproveite e entenda agora como diferentes tipos de cirurgia para câncer de mama influenciam na qualidade de vida da paciente.





