Durante a gravidez, a mulher passa por diversas mudanças no corpo. Entre algumas das principais novidades estão as alterações mamárias que preparam o organismo para a lactação. Tais mudanças obrigam que os cuidados com os seios na gestação são sejam negligenciados.
Sem isso, podem aparecer problemas que atingem a mãe antes e depois do parto, atrapalhando também a alimentação do recém-nascido. Por isso, vale a pena repassar algumas orientações importantes para essa etapa da vida.
Como ficam os seios na gestação e durante a amamentação?
Com o aumento e flutuação dos hormônios devido à gestação, os seios podem apresentar algumas das seguintes mudanças à medida que o feto se desenvolve:
- Inchaço e aumento do volume mamário, aumentando um ou mais números de sutiã;
- Dor e sensibilidade ao toque;
- Escurecimento e aumento dos mamilos e das aréolas, que ficam mais preparados para a amamentação;
- Mamilos mais salientes e protuberantes;
- Maior visibilidade das veias, que aparecem mais azuladas sob a pele devido ao aumento do fluxo sanguíneo;
- Possível surgimento de estrias devido ao crescimento rápido das mamas.
Por volta da 16ª semana de gravidez, os seios já são capazes de produzir leite. Dessa forma, em algumas mulheres é comum que pequenas quantidades de um líquido que varia entre o esbranquiçado e o amarelado, chamado colostro, vazem dos mamilos.
O colostro é rico em anticorpos e nutrientes essenciais para o recém-nascido. Já nos primeiros dias após o nascimento do bebê, as mamas continuam se transformando.
Entre o segundo e o quinto dia pós-parto, acontece a chamada “descida do leite” ou apojadura, quando a lactação aumenta significativamente, substituindo o colostro.
Essa fase é temporária e tende a se normalizar em alguns dias, conforme o bebê mama regularmente e a produção se ajusta à demanda. Com o estabelecimento da amamentação, as mamas continuam produzindo conforme a necessidade do bebê.
Como se preocupar adequadamente com as mamas nessa fase da vida?
Se os cuidados com os seios na gestação não forem tomados, as alterações da mama podem causar desconfortos e prejudicar a qualidade de vida da gestante.
Portanto, seguir as medidas listadas é bastante relevante, inclusive para evitar doenças nas mamas e ter uma amamentação mais tranquila.
1. Usar sutiãs adequados e confortáveis
Com as mudanças da mama, alguns sutiãs podem incomodar e até machucar a região. Por isso, é importante comprar sutiãs que não pressionem muito, tenham suportes firmes, alças largas e forro de algodão macio.
Adicionalmente, seu desenho precisa abranger toda a mama, sem que o tecido mamário fique comprimido abaixo da borda.
Para quem apresentar vazamentos pelo mamilo, pode-se usar protetores de mama dentro do sutiã para evitar que manche o sutiã e a roupa.
2. Lavar mamilos e aréolas apenas com água
A forma como se higieniza as mamas pode ajudar a diminuir a chance de desenvolver mastite durante a amamentação.
O mais indicado é lavar o bico do peito somente com água. O sabão tende a secar e rachar os mamilos, deixando-os vulneráveis a organismos infecciosos.
Ou seja: sabonetes e cremes podem ser usados nos seios, mas não nos mamilos e nas aréolas. Qualquer outro produto aplicado na área precisa de prescrição médica, como orienta a Sociedade Brasileira de Pediatria.
Além disso, esfregar buchas ou toalhas nos mamilos deve ser evitado, pois o atrito na pele favorece o desenvolvimento de lesões, que servem igualmente de porta de entrada para infecções.
No mais, secar as mamas ao ar livre e tomar banhos de sol moderados, de cerca de 15 minutos por dia, podem ser benéficos, desde que feitos nos horários adequados (antes das 10h ou após as 16h). A exposição à radiação solar em excesso, porém, oferece riscos de danos à pele.
Leia também: Irritação no mamilo e a possível suspeita da doença de Paget da mama
3. Manter atenção às alterações das mamas
Embora mudanças nos seios sejam comuns durante a gestação, é importante conhecer o próprio corpo e prestar atenção a outras possíveis alterações, como nódulos.
Segundo a American Pregnancy Association, formações similares muito comuns encontradas em mulheres durante o fim da gravidez são, na verdade, dutos de leite entupidos. Eles surgem por conta de protuberâncias duras e sensíveis ao toque nas mamas. Compressas mornas e massagens ajudam na desobstrução.
A chance de que mulheres em idade fértil e durante a gravidez desenvolvam câncer de mama é baixa. Mas isso não significa ignorar esse risco e deixar de manter a atenção.
4. Preparar-se para a pega adequada do bebê
Um dos cuidados mais importantes para evitar problemas nas mamas durante a amamentação é garantir que o bebê faça a pega correta desde as primeiras mamadas. Isso evita lesões que podem originar incômodos que evoluem até chegar a um quadro de mastite.
Durante o pré-natal, é fundamental que a gestante tenha orientações sobre como posicionar o bebê e sobre a técnica adequada de amamentação.
A pega correta acontece quando o bebê abocanha não apenas o mamilo, mas também grande parte da aréola.
O queixo do bebê deve estar encostado no peito, com o nariz livre para respirar. Quando esse movimento está adequado, diminuem as chances de que a amamentação cause dor ou ferimentos nos mamilos.
Na dúvida, a ajuda aos profissionais de saúde logo nas primeiras mamadas na maternidade faz toda a diferença. Enfermeiros, médicos e consultoras de amamentação podem observar e corrigir a técnica, garantindo que mãe e bebê comecem essa jornada da melhor forma possível.
5. Manter uma alimentação equilibrada e boa hidratação
Uma boa nutrição durante a gestação é fundamental para preparar o corpo para a produção de leite de qualidade.
É preciso garantir que as refeições sejam compostas de alimentos ricos em vitaminas, minerais e proteínas. Dessa forma, é essencial que o cardápio seja baseado sempre em frutas, verduras, legumes, cereais integrais, carnes magras e laticínios, deixando de lado preparações compostas de itens ultraprocessados.
A hidratação apropriada também é essencial. A água ajuda a manter a pele hidratada, favorece o bom funcionamento do organismo e garante que o corpo tenha o líquido necessário para produzir o leite.
Outra recomendação é evitar o consumo excessivo de cafeína e de bebidas açucaradas, dando preferência sempre à água pura. De todo modo, chás e sucos sem açúcar podem ser um complemento importante, desde que a escolha seja feita com equilíbrio.
6. Prosseguir com a rotina de exames e consultas médicas
Logo no começo da gestação, pode ser pertinente consultar o médico mastologista para que ele examine as mamas.
Através de avaliações e, eventualmente, exames de imagem, ele pode conferir se há alterações nas glândulas mamárias ou problemas que possam dificultar a amamentação depois. Ademais, um exame clínico deve ser feito uma vez por trimestre da gestação como parte do esquema de pré-natal orientado pelo obstetra responsável.
A busca por atendimento é indispensável também diante de qualquer alteração ou incômodo suspeito relacionado à condição das mamas ou às dificuldades para amamentar. Quanto mais cedo isso for feito, mais rápido fica identificar e corrigir a queixa sem prejudicar mãe e bebê.
Em resumo, os cuidados com os seios na gestação começam sempre com orientações simples, mas insubstituíveis para contribuir em uma experiência mais tranquila tanto na gravidez quanto no período de amamentação.
Não vá embora sem antes entender também o que toda mulher precisa saber sobre os quadros de mastite.





